Vida de “cururu”

Pedalar faz parte da minha vida desde a infância. Nem lembro com quantos anos aprendi a andar já sem as rodinhas. Quatro, provavelmente. Mas de um tempo para cá a minha relação com as bikes mudou bastante.

Quando era pequeno, às vezes eu pedalava o dia inteiro. De acordar à noite com cãibras. Fui ficando mais velho, saindo para andar por perto de casa, mas gostava mesmo de andar em Minas Gerais, quando passava as férias na casa da vó. E em Minas, alguns de vocês talvez já tenham escutado falar, só tem morro. Onde a minha vó mora, então…

Só que era só andar, mais por diversão mesmo. Tanto que tive fases em que andei pouco. Uma bicicleta que não prestava, rotina que não deixava, e o pedal ficava de lado de tempos em tempos. O mesmo rolou com assistir provas de ciclismo: quando a ESPN começou a passar o Tour de France (e depois as outras provas), eu adorava assistir. Porém, por não ter TV a cabo lá em Minas em julho, ou depois pela rotina de trabalho, passei um tempo acompanhando “por cima”.

Agora estou aqui, em 2018, andando de speed e rabiscando algumas linhas sobre ciclismo. O Celso Anderson mandou um zap dia desses perguntando se eu não queria escrever uma coluna no site, passando meu ponto de vista de “cururu” como ciclista. Pra quem não sabe, é assim que ele chama os iniciantes.

Voltei a pedalar com uma frequência maior em 2013, em uma viagem de férias na Alemanha. De volta ao Brasil, comecei a trocar um dos dois ônibus da volta para casa pelas bikes do Itaú. E depois de algumas passagens pelo departamento médico, tirei o pó da bike velha querendo passar a treinar. No ano passado, comecei a narrar algumas provas de ciclismo na ESPN, peguei uma speed, fiz minha primeira prova e, em meio a meses mais parados por causa de trabalho, acumulei impressionantes 1200 km no ano!

Ok, eu sei que 1200 km é coisa que alguns de vocês fazem em um mês, que profissionais fazem em uma semana, mas calma, gente. É só o começo. Criei coragem, comecei a acordar às 4h para pedalar na USP, estou indo trabalhar de bicicleta, em breve saio pra estradas, Jaraguá, encaro 100 km num dia, e vai saber até onde mais.

Tudo isso enquanto tento encaixar os treinos nos meus horários nada normais e alternando com as peladas aqui e ali, afinal, a gente gosta de bater uma bolinha também.

E, aos poucos, vamos contando por aqui também como será esse processo. Espero que os textos sirvam de motivação para quem, assim como eu, está começando a pedalar pra valer. E, claro, provavelmente arrancar algumas risadas dos mais veteranos — que já passaram por isso e agora zoam os “cururus”.


Renan do Couto já cobriu F1 pelo site Grande Prêmio e é narrador dos canais ESPN desde 2015

Deixe seu comentário

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.