Tudo sobre selins

Verdades e mitos na escolha de um selim

Entre todos os componentes de nossas bicicletas, talvez o que mais impacto positivo e negativo cause ao usuário seja o selim.

E porque o selim se torna tão importante num contexto de praticamente uma centena de diferentes peças em uma bicicleta?

Ele é o principal apoio e conexão do ciclista com a bicicleta, onde a maioria das sensações são distribuídas e sentidas. Também acaba por posicionar o usuário, dando o balanço correto e transferindo a maioria dos impactos. Também, cabe ao selim definir parâmetros quanto aos regulamentos técnicos de certas modalidades. Usá-lo mais avançado, mais retrasado, com a ponta alta ou baixa, ou até nivelada, trarão uma série de diferentes posturas desde a mais confortável, até a mais agressiva e ou aerodinâmica.

Esta matéria é para direcionar quem deseja entender melhor certas dúvidas sobre este importante componente da bicicleta.

 

 Qual selim usar?

Esta pergunta é a mais frequente nas lojas onde se decide a compra da bicicleta. Obviamente vamos tentar responder ou indicar o melhor selim, entretanto, isso depende muito do tipo de uso , bicicleta e até da modalidade elegida pelo usuário. Podemos dar alguns exemplos do que não usar e outros do que seria mais eficaz num determinado caso específico:

1 – Para conforto: Neste caso, temos uma somatória de variáveis que devem ser observadas. Para que se tenha mais conforto, o ideal é que não só o selim tenha uma área de contato maior do que os de modelo esportivo, mas também, que outros componentes da bicicleta sigam esta vertente. A distância entre selim e guidão deverá ser mais curta que na posição esportiva, a angulação do tronco em relação ao nível horizontal menor.

Tudo isso traduzirá na necessidade de um selim com área de contato maior. Isso não quer dizer que o selim terá que ser enorme, tipo, selins de bicicletas de academia antigas, um verdadeiro sofá.

O mais importante será o selim ter a anatomia correta. Nisso, as marcas mais conhecidas, mesmo nos selins de conforto, com certeza

 

 

Mercado

Claro que as marcas tanto de bicicletas quanto de acessórios devem ter estudos deste aumento da média de idade dos praticantes do ciclismo, porque, com tanta gente mais experiente pedalando, talvez o mercado tenha que se adaptar a mais lançamentos para este tipo de público . Na verdade já se adaptou e não se deu conta. Como sou quase um dinossauro do ciclismo, ainda guardo as medidas e designs de 20 ou 30 anos atrás, quando iniciei minhas  pedaladas e posso afirmar que quase tudo mudou. Tanto em termos de novos materiais, quanto na diferenciação da forma dos produtos (design e ergometria). Vamos a alguns grandes exemplos que hoje são consumidos por todos e que talvez os mais novos não tenham se dado conta de que podem ter sido pensados neles, entretanto, se encaixa perfeitamente para quem não esta tão ligado apenas na performance.

 

Transmissões mais leves:  A relação de marchas das bicicletas mudou radicalmente nos últimos 20 anos. Passamos de volantes de 53 dentes a 50, também passamos de pinhões de 21 dentes (os maiores de 20 anos atrás) a pinhões de hoje de até 32 dentes.

Para se ter uma idéia, quando Miguel Indurain ganhou seus 5 títulos no Tour de France e 2 títulos do Giro D’Itália, não usava mais de 23 dentes no maior pinhão. Também, era comum, largar uma prova de contra-relógio com volantes de até 58 dentes.

Hoje as marcas vendem muito mais produtos com transmissões bem mais leves, para que possam popularizar mais o esporte, tanto para novos praticantes, como manter os antigos que já não tem tanto força.

 

Revolução nos quadros:

Se formos usar os exemplos dos quadros das bicicletas, chegaremos a exemplos tão chocantes quanto das transmissões.

Em comparação aos quadros de 20 ou 30 anos atrás, hoje temos muitas outras opções de geometria e materiais distintos que confeccionam estes quadros, como também um maior conforto para a prática do ciclismo.

Podemos começar com o advento dos quadros “ Gran turismo” ou “Sport” que simplesmente a poucos anos atrás não existiam. Estes quadros geralmente tem o mesmo nível técnico (materiais e sofisticação) dos quadros de linha “Racing” das maiores marcas mundiais, porém, tem detalhes que premiam maior conforto em detrimento de uma aerodinâmica e peso do equipamento.

Suas características principais são : Possuir frentes mais altas (maior conforto), traseiras mais longas (maior entre-eixos, se traduz em menos vibrações), Top tube mais curto (maior sensação de controle da bicicleta). Todas estas mudanças trazem pequenas perdas em termos de desempenho, porém, muito maior conforto e prazer na pedalada. Isso faz com que mais gente de maior idade possa se manter pedalando e novos adeptos se “ajeitem” melhor as condições das pedaladas mais longas.

 

Enfim, vemos que mudanças de comportamento, de inclusão de novas faixas etárias e de novos conceitos de vendas trazem também sensíveis diferenças aos produtos que hoje são oferecidos no mercado de bicicletas.

Fiquem atentos e aproveitem cada mudança a seu favor, assim, poderemos juntos pedalar por toda a vida e com muito mais eficiência e prazer.

Até a próxima !!!