Tudo sobre selins – Parte 2 (bike fit)

Verdades e mitos na escolha de um selim

Entre todos os componentes de nossas bicicletas, talvez o que mais impacto positivo e negativo cause ao usuário seja o selim.

E porque o selim se torna tão importante num contexto de praticamente uma centena de diferentes peças em uma bicicleta?

Ele é o principal apoio e conexão do ciclista com a bicicleta, onde a maioria das sensações são distribuídas e sentidas., também acaba por posicionar o usuário, dando o balanço correto e transferindo a maioria dos impactos. Também, cabe ao selim definir parâmetros quanto aos regulamentos técnicos de certas modalidades. Usá-lo mais avançado, mais retrasado, com a ponta mais alta ou baixa, ou até nivelada, trarão uma série de diferentes posturas desde a mais confortável, até a mais agressiva e ou aerodinâmica.

Esta matéria é para direcionar quem deseja entender melhor certas dúvidas sobre este importante componente da bicicleta.

 

 Qual selim usar?

 Esta pergunta é a mais frequente nas lojas onde se decide a compra da bicicleta. Obviamente vamos tentar responder ou indicar o melhor selim, entretanto, isso depende muito do tipo de uso , bicicleta e até da modalidade elegida pelo usuário. Podemos dar alguns exemplos do que não usar e outros do que seria mais eficaz num determinado caso específico:

 

1 – Para conforto: Neste caso, temos uma somatória de variáveis que devem ser observadas. Para que se tenha mais conforto, o ideal é que não só o selim tenha uma área de contato maior do que os de modelo esportivo, mas também, que outros componentes da bicicleta sigam esta vertente. A distância entre selim e guidão deverá ser mais curta que na posição esportiva, a angulação do tronco em relação ao nível horizontal maior. Existem bicicletas que podem chegar a quase 90 graus (muito confortável, porém, nada esportivo).

Tudo isso se traduzirá na necessidade de um selim com área de contato maior. Isso não quer dizer que o selim terá que ser enorme, tipo, selins de bicicletas de academia antigas, um verdadeiro sofá, este nunca é bom.

O mais importante será o selim ter a anatomia correta. Nisso, as marcas mais conhecidas, mesmo nos selins de conforto, já tem muita informação em dados coletados por anos e por tipo de uso a que cada selim é destinado.

As bicicletas que usam estes tipos de selim geralmente se enquadramem: Bicicletas de uso na praia (Beach Bikes), bicicletas de passeio urbanas , geralmente que usam bagageiros e cestas e bicicletas de entrega.

 

2 – Para lazer em geral: No caso de lazer e iniciação esportiva, os selins já começam a ter um perfil mais afilado, com projeções de perfil semi-esportivo. E o que isto quer dizer? Que aqui também tudo interfere no resultado final. O perfil e set up (ajuste de componentes) da bicicleta toda é diferente.

Tubo superior do quadro (Top tube) mais comprido, avanço de guidão de medida intermediária (nem curto demais nem longo demais), ângulos do quadro um pouco mais agressivos, ou seja, tudo será de maneira intermediária entre extremo conforto e esportividade.

Dentre estas bicicletas, podemos citar modelos de bicicletas urbanas (híbridas), bicicletas de bike mensageiros, Mountain Bikes de uso geral e bicicletas de estrada de nível mais básico.

 

3 – Uso esportivo: No uso mais esportivo, os selins parecem (na maioria) verdadeiros pedaços de pau. Para os leigos, seria impossível usar ou até pensar em sentar numa “coisa” daquelas. Entretanto, ao passar dos anos, entendeu-se que mais importante que conforto ou forma, a anatomia é o que se torna imperativa na escolha do selim. Principalmente no uso esportivo, onde se visa o máximo desempenho, também é necessário o mínimo conforto, até para que se possa ficar até sete horas (ou mais), em cima destes selins. Para tanto, a anatomia terá que trabalhar todos estes aspectos e também, é onde as empresas que desenvolvem estes componentes mais gastam dinheiro, tempo e usam toda a tecnologia. Assim, o desafio é entregar a anatomia para as diversas sub modalidades do ciclismo , como também, menor peso e até um visual que agrade o usuário.

Destaques de bicicletas que usam estes tipos de selins: Todas de uso esportivo e geometrias mais agressivas das diversas modalidades do ciclismo: Ciclismo de estrada, MTB, Triathlon, BMX, CycloCross, entre outras.

 

 

Largura do selim

 

Um fator muito observado e que tem revolucionado a escolha de selins para o uso esportivo principalmente é a largura da parte posterior dos selins. Este fator vem sendo muito observado e colocado como prioridade na escolha dos selins. A chave para se escolher o selim correto , na verdade é a medida de separação entre os ossos de apoio (ísquios) . estes ossos são a continuação da pélvis do quadril humano e justamente são os apoios de quando sentamos, seja numa superfície longa e plana ou mesmo nos selins que usamos nas bicicletas. Portanto, se não estivermos com os ísquios assentados de maneira correta no selim da bicicleta, poderemos ter muitos problemas em relação a lesões durante ou principalmente após as pedaladas.

Então, como saber qual é a medida correta de um selim para podermos decidir a compra do mesmo?

É muito fácil. Basta sentar-se em um banco plano pouco almofadado (tipo bancos de academia), colocar um papelão plano em cima , sentar se em cima deste papelão usando um pequeno apoio para que os pés estejam em nível mais alto que o chão(também apoiados) e aguardar um minuto. O importante é riscar um giz de cera comum no papelão antes de sentar. Após este um minuto, levantar-se e as marcações dos ísquios estarão bem nítidas no giz que foi aplicado no papelão.

Daí, mede-se entre os centros das marcas e teremos um valor. Acrescenta-se 10 mm e terá sua medida ideal de largura de selim.

Veja a ilustração abaixo:

Reprodução

 

Comprimento e largura da ponta do selim

 

Os selins de bicicletas esportivas geralmente tem 270 mm de comprimento. Podem ter variações de 273 a 275 mm na maioria dos casos. Hoje em dia, também no mercado, temos selins mais curtos . Marcas como Adamo ou Duopower podem ter até 170 mm. Isto é possível com a supressão da ponta do selim. Esta variação, basicamente é mais usada para bicicletas de TT(Time Trial), ou Triathlon. A explicação é que, como a regra da UCI (União Internacional de Ciclismo) só permite que as bicicletas de TT possam ter um selim que a ponta esteja no mínimo 5 centímetros atrás da linha do movimento central , quando se coloca um pêndulo da ponta do selim e o movimento central.

Esta medida de comprimento, também é importante, porém, menos importante que a largura e o assentamento dos ísquios do usuário no selim.

Já a largura da ponta do selim, também, na maioria das vezes é mais variável na escolha de acordo com a modalidade do usuário. Para provas de triathlon, normalmente se usava uma ponta de selim mais larga e com mais almofada, pois, constantemente o atleta era projetado á frente e necessitava de mais apoio. Com os selins sem ponta de hoje em dia, as pontas mais largas, praticamente acabaram.

No ciclismo de estrada, as pontas  dos selins costumam não ser tão largas, porque se necessita de mais mobilidade para frente e para trás. Também, costumam ser mais duras para que o excesso de almofada não interfira neste movimento.

No caso do MTB, se necessita de mais almofada que no caso do ciclismo, porém, nunca demasiado. Em relação a largura, se repete o que vale para o ciclismo, com a ponta mais estreita e necessidade de mobilidade.

 

 

Selins para mulheres.

Sim, as mulheres de maneira geral necessitam de um selim diferente dos homens porque a anatomia feminina também é diferente. Em geral, o quadril é mais largo então, “de cara” , os selins necessitam serem mais largos. Normalmente, também são mais curtos.

Muitas marcas percebendo este necessidade a muitos anos já fazem selins específicos para as mulheres. Pelo menos, desde o início dos anos 2000 os modelos específicos para mulheres se proliferaram, assim, qualquer pessoa, independente de dimensões e sexo poderá ter maior conforto e desempenho nas pedaladas.

 

Altura do selim.

Desde os primórdios do ciclismo de estrada (o inaugurador de várias – quase infinitas – modalidades de hoje em dia), muitas técnicas e teorias foram usadas para se determinar a altura correta dos selins das bicicletas. Como citamos logo aí acima, temos que tomar cuidado com as várias modalidades e tipo de condução da bicicleta em questão. Se formos especificar as bicicletas de alto desempenho, entre as modalidades de : Ciclismo Olímpico, Triathlon e Mountain Bike, algumas técnicas são as usadas hoje em dia para se determinar a altura ideal dos selins. Vamos citar aqui as mais usadas.

 

1 – A mais prática e rápida:

Uma técnica das mais usadas até hoje e também umas das mais fáceis de se realizar, pois, basicamente não exige medições, adição de aparelhos mais sofisticados como goniômetro ,trena, etc , é a técnica de se colocar um dos pedais  no ponto morto baixo (local mais próximo ao solo). Em seguida, sentar-se no selim e em vez de apoiar o metatarso (osso que serve de referencia para a maior transmissão de energia dos pés ao pedal), apoiar o calcanhar no eixo do pedal, fazendo com que a perna esteja totalmente esticada, causando um ângulo raso(180°) entre a ponta do fêmur e o calcanhar. Olhe a figura para entender. Desta maneira, quando formos apoiar (agora assim), o metatarso no eixo do pedal, teremos a perna com um ângulo de aproximadamente 175° na extensão máxima, que é muito próximo (ou até o ideal) para se desenvolver uma pedalada com conforto e muito desempenho.

 

 

Foto.

2 – A técnica hoje mais divulgada:

Outra técnica para a obtenção ideal da altura do selim que se assemelha a primeira é esta que hoje é a considerada mais eficiente. Quase tão simples de se obter quanto a primeira, a única necessidade de equipamento de medição é a de um Goniômetro (aparelho que mede ângulos).

Basicamente se emparelha o pedivela de maneira a estar paralelo ao tubo do selim , com os pés já encaixados nos pedais,. Desta feita, teremos que usar o goniômetro para termos três pontos de referência do ângulo a ser medido. Devidamente assentado no selim,, vamos medir entre a cabeça do fêmur (parte superior da perna e extremidade um do ângulo a ser descoberto), em seguida, colocamos a parte do meio do goniômetro no eixo de rotação do joelho ( será o vértice do ângulo), em seguida, a outra semi reta em direção ao osso do tornozelo (ponta da fíbula na parte mais baixa e exterior da perna – veja figura), assim teremos que ajustar a altura do selim até termos um ângulo de 150° entre estas partes.

 

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3 – Estudos científicos :

Em mais uma das técnicas para a obtenção da altura do selim e que por cruzamento e interposição de técnicas , acaba provando que as outras duas aí acima também fazem muito sentido, tanto na prática, como na teoria, é um estudo que mostra, após muitos e muitos cálculos, que seria ideal a multiplicação da altura do Cavalo (entre pernas ) por um número fixo = 0,88.

Desta maneira, se por exemplo o atleta tem um cavalo de 8o centímetros, usará 80cm x0,88 = 70,4 cm de altura do selim.

Para se medir corretamente esta altura, deve-se iniciar a medida do centro do movimento central, seguindo paralelo ao tubo do selim até onde o ciclista toca no selim quando assenta. Também, se o selim tiver muita quantidade de espuma, deverá ser descontada esta perda de altura. O ideal, para uso esportivo é que o selim não seja muito maleável.

 

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Conclusão:

 

Basicamente, usando uma técnica, outra ou até a superposição destas três , muito provavelmente, a altura ideal do selim será achada e dependendo da modalidade, ajustar em não mais que um milímetro a altura para cima ou para baixo, fará de você um ciclista encaixado” no selim da bicicleta. Assim, o desempenho será máximo e o mais importante, praticamente o risco de possíveis lesões por movimento repetitivo errado, será reduzido a zero.

Claro que cada ser humano tem sua própria anatomia, então, mesmo dentre vários estudos, sempre existem pequenas margens para mudanças, entretanto estes parâmetros que citamos devem funcionar para 99,9% dos casos.

Na atualidade é muito comum se recorrer a um especialista em acerto postural (Bike Fit). A maioria destas técnicas de escolha e medidas de selins é aplicada por este profissional. Como em todas as profissões, existem bons profissionais e aqueles que não acrescentam muita coisa ou por excesso de tentar transparecer técnicas mirabolantes de lasers e de luzes com muita pirotecnia acabam tentando “florear” demais o trabalho, sem um compromisso que alie a tecnologia ao conhecimento empírico que é muito importante. Meu conselho seria procurar um profissional que se atualize das novas técnicas, porém, que menos use pirotecnia e sim muito da bagagem que ele mesmo (profissional) tenha aprendido na prática e em seus erros e acertos, o que funcionou ou não. Como tudo na vida, experiência neste caso é tudo, entretanto, nunca descolada de novos  e bons conhecimentos.

Fuja de muita badalação,  procure o profissional coerente e sensato, que marcará uma consulta e muitos retornos, para que tenha a certeza que a postura, não só em relação a altura ou escolha do selins esteja correta, mas aquele que se preocupa se realmente fez seu “paciente” evoluir tanto em termos de desempenho, quanto em ausência total de possíveis lesões, que é o mais importante.

Boas pedaladas e de selim correto !!!

 

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